sexta-feira, 2 de setembro de 2011


Estatísticas
Aumentam acidentes de trabalho em Mogi das Cruzes/SP
Data: 28/08/2011 / Fonte: Diário de Mogi

Mogi das Cruzes/SP - Apenas nos primeiros sete meses deste ano, os acidentes de trabalho aumentaram 18% em Mogi das Cruzes, em comparação com o mesmo período do ano passado. Ao todo, a cidade já registrou 399 ocorrências do tipo em 2011, o que indica que, a cada mês, em média, 57 mogianos sofrem algum tipo de lesão dentro do ambiente de trabalho. Os números representam os casos que demandaram afastamento superior ao período de 15 dias e que culminaram na concessão de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Não há estatísticas que incluam as ocorrências menores ou que indiquem os setores com maior incidência de prejuízos físicos à classe trabalhadora.

Entre janeiro e julho de 2011, a agência regional do INSS concedeu 399 benefícios a trabalhadores de Mogi, sendo que no mesmo período do ano anterior foram 338. A maior parte dos afastamentos é relativa ao auxílio-doença, que em 2011 soma 389 casos, além de uma morte e nove pensões por invalidez, que envolvem situações de maior gravidade. Em 2010, conforme dados do órgão, foram 328 concessões de benefícios a acidentados no trabalho, além de três casos de morte e sete trabalhadores que ficaram incapacitados de exercer sua função.

Se os números de Mogi são negativos, as estatísticas regionais são ainda piores. A agência local do INSS, que também atende aos municípios de Biritiba-Mirim, Arujá e Salesópolis, registrou, no apanhado geral das quatro cidades, um total de 495 acidentes entre janeiro e julho de 2011. O número é 30,6% maior do que o registrado no mesmo período anterior, quando houve 379 incidentes do tipo. A comparação dos números indica que, nesse ano, Mogi das Cruzes já registrou, sozinha, mais acidentes de trabalho do que o número computado nos quatro municípios juntos, nos sete primeiros meses do ano passado.

O mogiano José Edson Vitor, de 41 anos, faz parte das atuais estatísticas do INSS e possui um histórico que exemplifica bem a realidade de muitos trabalhadores. Ele atua no setor industrial há 25 anos, passou por diversas empresas e já foi submetido a quatro cirurgias decorrentes de atividades que envolvem sobrecarga de peso e esforço repetitivo. Atualmente, o trabalhador ocupa o cargo de operador de produção em uma grande empresa do setor automobilístico de Mogi, mas está afastado em decorrência de uma operação na coluna. "Já precisei operar o ombro, as duas mãos e agora a coluna. Tudo isso em razão do trabalho. Desta vez não há previsão de quando poderei retornar", disse.

RevisãoO engenheiro e perito da Justiça do Trabalho, Hamilton Mourão, defende a revisão das Normas Regulamentares editadas pelo Ministério do Trabalho para redução das estatísticas. Ele explica que as regras são falhas porque não obrigam as empresas menores a terem acompanhamento de profissionais da área de segurança do trabalho, mesmo que estas atuem em áreas com risco elevado. "Atualmente, apenas as empresas com mais de cem funcionários são obrigadas a contratar um engenheiro ou técnico em segurança do trabalho. Porém, as pequenas e médias também deveriam contar com esse tipo de assessoria, pelo menos de semana em semana ou de quinze em quinze dias", alertou.

Mourão destaca que há uma série de verificações e cuidados que devem ser adotados pelos funcionários antes de iniciar o trabalho. Segundo ele, esses procedimentos devem ser acompanhados por pessoas especializadas e algumas empresas já começam a se conscientizar sobre o assunto. "Por problemas com processos criminais e trabalhistas, decorrentes de acidentes no trabalho com morte, algumas empresas, entre elas, a Petrobras, trazem nos contratos com terceiros a obrigatoriedade de contratação mínima de um técnico de segurança do trabalho; independentemente da quantidade de funcionários trabalhando na obra."

Sem controleEmbora possua estatísticas sobre os benefícios específicos sobre acidentes de trabalho, o INSS não possui levantamentos que indiquem os setores de produção com maior ocorrência de casos. Consultado, o Ministério do Trabalho também informou, por meio da Assessoria de Imprensa de Brasília, que não possui dados sobre o assunto. Igualmente, os sindicatos dos trabalhadores não fazem esse tipo de controle

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