| Anamt assina documento a favor do banimento do amianto |
Data: 15/03/2012 / Fonte: Anamt O uso do amianto crisotila vem sendo bastante discutido nos últimos meses. Em fevereiro, o mineral protagonizou episódios que envolveram a justiça brasileira e a italiana. No Brasil, uma organização fundada por produtores da substância interpelou judicialmente um pesquisador devido à publicação de um artigo que alertava sobre os perigos da utilização do amianto. Em Turim, na Itália, dois ex-proprietários de uma transnacional que usava a substância em sua linha de produção foram condenados a 16 anos de prisão e obrigados a pagar 100 milhões de euros em indenizações pela morte de três mil pessoas envolvidas direta e indiretamente com o amianto - uma sentença considerada histórica. Durante as duas últimas décadas, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho se posicionou contra a produção, a utilização e a comercialização do amianto no Brasil. A defesa pelo banimento da substância se baseia em estudos de órgãos como a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial de Saúde (OMS), que já demonstraram que o amianto é cancerígeno para o ser humano. A Anamt também defende o direito à livre expressão e ressalta a importância do debate para avançar em questões em que a vida é a principal protagonista. No Brasil, a substância ainda é legal O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de amianto. Nas últimas quatro décadas, o mercado brasileiro consumiu cinco milhões de toneladas em produção, transformação, instalação, remoção e descarte do material. Tratando de quantidades desse porte, fica claro que o problema extrapola as questões trabalhistas e o ambiente de trabalho: o amianto está no dia a dia de pessoas de todo o país que sequer estão cientes de sua presença. Nos países que baniram a substância, seu uso foi substituído por similares atóxicos (silicato de alumínio e grafite expansível em compósito de poliuretano, por exemplo) sem nenhum prejuízo para os produtos. Os defensores da proibição no Brasil alegam que a indústria já conta com a tecnologia necessária para a substituição, enquanto as empresas do setor mantêm o discurso de que é possível a produção com segurança. Os fatos ocorridos nas últimas semanas, portanto, proporcionaram mais uma oportunidade para que o tema voltasse à tona, elevando o debate à importância que merece. Nesse cenário, a Anamt mais uma vez afirma sua posição e defende a proibição da produção e da comercialização nacional e internacional do amianto brasileiro, em defesa não apenas dos trabalhadores envolvidos, mas de todas as pessoas que possam ser impactadas. Esta semana, mais de 20 instituições ligadas à Saúde divulgaram à imprensa documento que lista os malefícios da fibra. |
segunda-feira, 19 de março de 2012
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